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09/02/2015

Nada me assusta.

Eu sempre fui assim. Daquelas pessoas que não se choca com nada. Desde criança, me lembro que sempre tive tendências ao acolhimento e nada que me diziam me causavam espanto.
Frieza? Talvez, mas com o tempo percebi que é uma característica maravilhosa que eu tenho e acabou me levando para a profissão que eu escolhi - o servico social.
Acredito que na vida fazemos escolhas e por isso, arcar com elas faz parte do nosso dia a dia. Ter alguem que nos ouça sem o pré julgamento as vezes é libertador.
Isso nao siginfica que concorde com tudo aquilo que me contam, mas pelas inúmeras leituras que fiz e faço por conta da profissão, aprendi que uma escuta ativa e imparcial, causa no outro uma sensação de alívio, além de despertar a confiança.
Faz parte de mim ouvir.
Se quiser me contar...

Beijos,
Vê 

25/04/2012

A assistente social voltando a opinar.

Essa semana eu precisei responder uma afirmativa que é um grande clichê desde que o mundo passou a viver a questão neoliberal nas grande sociedades.
A afirmativa era a seguinte: "a violência existente nos grandes centros urbanos do Brasil é potencializada pela quantidade de família de baixa renda."
Nossa, quando li isso minha vontade foi sair correndo e gritando num estilo desenho animado, mas ai eu respirei fundo, lembrei das aulas de processo de trabalho e serviço social da faculdade e comecei a discorrer sobre o tema.

Na minha humilde opinião uma coisa leva a outra e outra coisa leva uma. Mais como assim pessoa maluca? Simples.
Um dia, lá há sei lá quantos anos atrás, Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil. E segundo meu professor de história favorito, quando os senhores portugueses se apossaram do nosso tupiniquim Brasil, a ideia principal era simplesmente "desovar" todos aqueles cidadão europeus portugueses que não se enquadravam na política do Estado maior. Ter um local longe e com área territorial imensa, daria a esses governantes a tranquilidade de que ao mesmo tempo que teriam controle sobre essas pessoas, não precisariam dar respostas aos seus atos perante à sociedade européia.
Dai, fomos colonizados por um grupo de pessoas sem escrúpulos, criminosos e etc, mas eram europeus.
Voltando aos dias de hoje, um país que não investe em educação, que tenta suprir as necessidades básicas da população com medidas paliativas, que não oferece capacitação profissional, acesso a direitos básicos, não tem como controlar a violência.
No meu entendimento a violência está muito mais ligada à falta de informação do que à exclusão (mesmo que uma coisa leve a outra). Porque assim, quando excluímos alguém de algum tipo de coisa, privamos essa de ter tal conhecimento, porém se essa mesma pessoa tem informação de como fazer para buscar alternativas, ou seja, conhecimento, educação e bom senso, ela vai tentar fazer diferente (óbvio se for de seu interesse - falo meio que utopicamente).
Ai chegamos às famílias de baixa renda do Brasil, dos grandes centros. Não possuem educação, a informação chega deturpada a essa maioria de pessoas e a violência acaba sendo uma válvula de escape para querer aparecer (sim podem me crucificar). Mas a medida que você desconhece, você chama a atenção, você quer de alguma forma ser notado.
Porém em contra partida, as opções oferecidas pelo Estado são ainda mais excludentes. Nós, profissionais do social vivemos passando pelo grande dilema chamado critério de elegibilidade, que nada mais é dentro da miséria, eleger o mais miserável. E não falo de miséria só financeira não, falo num sentido amplo. Isso é terrível porque mesmo que você profissional seja imparcial, se você pensar na questão nua e crua, vai querer fugir num estilo corre e grita.
Aff, depois de falar isso tudo eu tenho a grande certeza de que se o Estado não supre as necessidades do cidadão que é pagador de impostos e principalmente obrigado a votar, nada vai melhorar. Um povo mal educado, sem informação e sem direto a acessar essa informação da maneira correta, sempre será violento.

Veronica Guimarães
Assistente Social
Desempregada, mas muito orgulhosa de sua profissão.

22/09/2011

Faxina Social

ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE - ECA - LEI 8.069/1990.


A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, estabelece em seu art. 227, os Direitos
da Criança Brasil. O Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA regulamentou o art. 227 da
Constituição, em grande parte inspirado nos Instrumentos Internacionais de Direitos Humanos da
ONU, e em especial, na Declaração dos Direitos da Criança, nos "Princípios das Nações Unidas
para a prevenção da deliqüência juvenil", nas "Regras Mínimas das Nações Unidas para a
Administração da Justiça Juvenil"e "Regras das Nações Unidas para proteção de menores
privados de liberdade".




Vinte e um anos se passaram após a promulgação do ECA, que vinha a ser o grande "salvador da pátria" frente ao extinto e arcaíco Código de Menores.
Não só a nomenclatura que mudou, mas também as terminologias que antes eram pejorativas e de caráter completamente excludente.
Enfim, uma legislação que tem por obrigação fazer valer os direitos e também elucidar os deveres dessa parcela da sociedade, que teoricamente serão os futuros gestores do nosso país.


Seria tudo maravilhoso se a lei fosse completamente cumprida, em todos os seus artigos. Hoje, podemos observar que no que diz respeito à criminalidade, isso sim é cumprido à risca, porém, garantia de direito à saúde, educação, moradia, convivência familiar, direito à brincadeira, isso é quase impossível.


Vocês leitores podem estar sem perguntando: Por que cargas d'água essa maluca resolveu falar disso? Bem, primeiro pela profissão, sou assistente social e depois principalmente por conta de um programa que eu vi na última terça feira, na rede Bandeirantes de televisão, chamado A LIGA. O foco do programa era o desrespeito a esse grupo social. Subdividiram o programa em 4 aspectos:
  1. Penintenciária de Patos - PB: Detentas que criavam seus bebês até os 6 meses de idade em condições subhumanas dentro de minusculas celas (pela Lei, é direito do bebê e de suas mães, conviverem até os 6 meses de idade onde a amamentação pressupõe-se que deva ser exclusiva, após o período determinado, caso não possua familiar que possa levar o bebê embora da penitenciária, este é indicado imediatamente à adoção).
  2. Suzano - SP: Adolescente de 15 anos de idade que foi privado de sua liberdade, cumprindo medida socioeducativa de 6 meses e 8 dias, por constatarem envolvimento com o tráfico de drogas.
  3. Recife - PE: A prostituição e exploração infantil tendo como objetivo principal o consumo de crack.
  4. Rio de Janeiro - RJ: Meninos de rua e seu dia a dia lutando pela sobrevivência.
Bem, não adianta eu ficar falando um monte de coisas sobre o programa em si, porque acho que não é pertinente e nem o foco do que eu estou querendo falar, mas dentro de tudo isso que foi resumidissimo ai em cima, o que dá o tom fúnebre é que o Brasil NUNCA ESTEVE E TALVEZ NUNCA ESTARÁ preparado para lidar com as mazelas da sociedade.


Sim, mazelas, porque são deslocadas para debaixo do tapete dia a dia. Uma lei que tem 21 anos e ainda não é totalmente cumprida, tem que ter algum problema. Primeiro, como diz o parágrafo lá de cima, baseamos a sua construção em vários escritos internacionais que NADA TÊM a ver com a realidade brasileira.


Somos um país populoso, de expansão territorial gigantesca e principalmente multirracial, o que começa gerando desconforto, preconceito e principalmente segregação, mesmo que seja por debaios dos panos.


No programa, fora mostrado em pararelo às reportagens, momentos de uma entrevista com a Ministra dos Direitos Humanos, Sra. Maria do Rosário (que sabia a fórmula do que fazer e não faz não sei porque...), e com o subsecretário de direitos humanos do Recife (este passou o tempo todo dizendo que o Governo do Estado e a Prefeitura de Recife estavam "fazendo a sua parte"), que no fim das contas, pouco respondeu às questões que com certeza se formaram na cabeça dos cidadãos pensantes do país que assistiram a matéria.


Enfim, um país que está seriamente empenhado na construção de estádios de futebol para a Copa de Mundo; enaltecer o Rock in Rio, numa cidade cheia de problemas e a maior exclusora social do país (eu sou do Rio e afirmo) e principalmente, gastar trilhões em obras, quando saúde, educação e habitação estão completamente sucateados.


Sinceramente, fazia tempo que não me dava conta de como a situação das crianças e adolescentes em risco social estava complicada.


Enquanto não houver incentivos a uma educação pública de qualidade, um Estado que possa garantir minimamente os direitos e enaltecer os deveres dos cidadãos, não haverá progresso.


Cidadãos "burros" + Estado sem ação = Criminalidade, fome e miséria.


Acho que falei e não disse nada, mas eu precisava desabafar.


Veronica Guimarães
Assistente Social registrada no Conselho Regional de Serviço Social do Estado do Rio de Janeiro.

15/05/2011

E lá atrás eu fiz...

Um dia, lá em 2006, eu prometi tudo isso e espero que venha conseguido cumprir, porque pra mim é um grande orgulho fazer parte dessa categoria mesmo que desuninda e despreparada, mas foi a profissão que eu escolhi.


Acho que foi a escolha certa! SOU ASSISTENTE SOCIAL COM MUITO ORGULHO!


"Prometo exercer com dignidade e respeito a profissão de assistente social, buscando ser criativo, humano, sensível e atento às manifestações da questão social fazendo da escuta, da observação e da intervenção, hábeis instrumentos de trabalho.
Comprometo-me a ter como parâmetro de minhas ações os valores da democracia, liberdade e cidadania, fundamentados no direito de cada cidadão.
Comprometo-me a trabalhar conforme os princípios éticos da profissão, defendendo os direitos e a emancipação da população.
Comprometo-me a contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e menos excludente.”


Parabéns a todos os profissionais do Serviço Social que assim coo eu lutam diariamente para garantir direitos e sinalizar deveres dessa nossa sociedade tão excludente.




Veronica Guimarães
Assistente Social
Formada em 2006 pela Universidade Federal Fluminense - RJ

27/09/2010

Recursos: como e quando lançar mão de usa-los.

Uma coisa que eu sempre acreditei ao longo da minha curta existência é que provavelmente em algum momento da vida, você, eu ou qualquer um que seja vai precisar lançar mão de alguma carta na manga para finalizar uma questão pendente.


Não digo isso relacionando com troca de favores ou uso de sedução cafajeste; falo mesmo do tal recurso. Seja ele financeiro, afetivo, profissional, é aquela tal coisa que você sabe que a hora que precisar, vai estar lá para que você use.


Pois bem, porque esse blá blá todo? Simplemente para chegar num ponto que venho debatendo eu, comigo mesma e Irene (rsrsrs), a questão da manipulação.


Eu confesso que já manipulei algumas pessoas, umas de caso pensado e outras como diz uma amiga, sem querer nadinha... Tá, ok, beleza.
Mas também digo com letras imensas: EU JÁ FUI MANIPULADA! Manipulação infantil, coisa que eu e a maioria das mães do mundo são vitimas diariamente. Ai que tormento, tem que se virar nos trinta pra resolver isso com leveza, bom humor e principalmente não cair na chantagem dos pequeninos.


Pra tentar chegar ao equilibrio desse texto mega confuso, vou contar uma coisa e ai vocês vão saber identificar exatamente o tal recurso que falei lá no começo.


Hoje, eu recebi uma ligação de uma senhora que é familiar de um dos assistidos que eu atendo na ONG. Essa senhora, nós da equipe técnica já concluimos que possui problemas de ordem psiquica e/ou mental. Todas as vezes que a atendemos ela chora, muda de humor facilmente, não assimila as idéias apresentadas e o principal, desorganiza os pensamentos o que fica terrívelmente complicado para refazer depois. Resumindo: Ela teve o filho desaparecido, hoje em dia já encontrado porém precisa de um pouco de tempo para voltar para casa, coisas relacionadas a segurança da habitação e mapeamento de rede psicosocial para esse assistido.


Nessa ligação, o real interesse da senhora era que eu fosse até ela, para então buscar o filho na entidade onde ele se encontra para que o mesmo fosse avaliado pelo profissional local, tendo em vista que sem avaliação existirá a perda do beneficio (ou seja dinheiro) que o menino recebe.


Eis que ai ela usou do seu maior recurso para tentar em dissuadir. Chorou, disse que precisa do filho mas não pode ficar sem o dinheiro... Cada um com as suas razões!


Uma coisa é certa, ela sabia exatamente o que deveria falar para me comover (isso na cabeça dela). Usou o recurso sentimental, tentando me sensibilizar... Só para o azar dela, eu não cai. Consigo enxergar exatamente qual o momento exato da manipulação. Mas uma coisa é certa, errada ela não está; cada um se utiliza e se empodera com as armas e os recursos que tem.


Vivendo e aprendendo a perceber.




Beijos

25/08/2010

Instituições "versus" Institucionalização

Quando eu criei pensei que iria falar muito da minha profissão, iria analisar, fazer comentários, pareceres e afins, mas acabou que os rumos foram outros e eu quase não falo de serviço social, mas hoje eu vou falar, então senta que lá vem história.

Desde 02 de agosto eu voltei a exercer a profissão de assistente social depois de quase três anos fora da frente de trabalho. E essa minha volta foi totalmente inusitada conforme eu conto AQUI; porém essa mudança só vem contribuindo ainda mais para o meu crescimento profissional e pessoal.

A Ong onde trabalho desenvolve um projeto de reinserção e reaproximação familiar em convênio com a FIA - Fundação para Infância e Adolescência do Estado do RJ e o objetivo é reinserir e reaproximar crianças e adolescentes (em alguns casos alguns adultos) com comprometimento mental que estejam em sistema de abrigamento, ou seja, em abrigos do Estado.

Até esse novo trabalho, meu contato com saúde mental era bem pequeno, algumas inserções com ex pacientes do antigo e extinto Dr. Eiras, localizado na cidade de Paracambi - RJ e somente. Nenhum contato com instituições, equipes técnicas que trabalhassem diretamente nessa área e principalmente contato ZERO com os portadores de necessidades especial, o tal comprometimeto mental que falei acima.

Hoje eu estive em um abrigo na cidade de Barra do Piraí e confesso que mesmo com a minha experiência no serviço social de aproximadamente 10 anos (a contar de quando entrei na universidade) me senti mal.

Me deparei com mulheres com idades próximas a minha, totalmente alheias ao mundo real, vivendo realidades paralelas, mundos específicos e completamente sem vínculos familiares. Vi uma equipe técnica comprometida com o trabalho e a proposta da reinserção e reaproximação familiar.

Excitação; surpresa; tristeza; medo; pesar; sentimentos de perda; curiosidade; tudo isso eu vi nos olhos daquelas moças. Vi também uma instituição segregada pela massificação do Estado, histórias interrompidas pelo abuso desse mesmo Estado e principalmente a tal institucionalização.

Trocando em miudos; as abrigadas que lá estão, cerca de 70, têm os mais diversos comprometimentos mentais, de leves até graves, mas existe algo comum em sua grande maioria: a dificuldade de se adaptar ao meio externo. Há casos que o abrigamente existe por pelo menos 28, 30 anos, ou seja, chegaram ao sistema ainda bebês.

A questão aqui não é culpabilizar familias ou tão pouco responsabilizar A ou B, mas mostrar que mesmo profissionais como assistentes sociais que são "treinados" ao longo de 4, 5 anos de graduação não se envolver, não se espantar e principalmente não usar de discursos assistencialistas, podem sim repensar a sua prática profissional a partir de olhares diferenciados e também se comoverem com determinadas situações.

Confesso que estou morrendo de sono, poderia estar dormindo, mas eu estou tão estarrecida com as imagens que eu vi, que precisava desabafar e por isso vim aqui pra dividir isso com vocês.

Talvez não seja o tipo de post que gostariam de ler, mas é o que eu consigo escrever, mesmo sem entender uma porção de coisas.

Uma coisa é certa, quando você não é apresentado a novas realidades, se adapta àquela que lhe é real. É exatamente que quer dizer a institucionalização. Segrega, massifica, maltrata e principalmente acolhe. Isso mesmo, uma relação completamente dicotômica, porque é dentro de instituições como abrigos que inumeras pessoas têm sua referência de vida, mesmo que essa não seja ideal.

Deixo um beijo grandão pra equipe técnica Moteana; super competente que tem me acolhido super bem desde o início do mês. Espero poder dar o meu melhor enquanto pessoa e principalmente como profissional engajada no projeto ético político da profissão.


Até mais.

05/08/2010

Mudanças geram incertezas

Olá pessoal.

Nossa, zilhões de anos luz que eu não venho por aqui, mas é que a situação tá crítica (no bom sentido é claro).

A galera que acompanha o blog há um certo tempo, sabe da luta que foi para retornar ao mercado de trabalho, o quanto eu estava deprimida no tempo que fiquei apenas me dedicando integralmente às atividades domésticas.

Hoje já se passaram 10 meses desde o início na agência de viagens. Fazendo algo que para mim até então era novidade, eu até tinha alguma noção de turismo, mas era ligado à eventos, mas receptivo, operadores, pacotes... tudo isso era como se cantasse Babalu em grego!

Nesse tempo, eu não deixei de procurar emprego na área de serviço social, mas as coisas começaram a ser mais espassadas, sem o compromisso, algo bem tranquilo, enviando currículos aqui ou ali.

Eis que mês passado, uma amiga muito querida me liga de manhã, eu em casa louca resolvendo as coisas pra despachar marido e filha e depois ir trabalhar, parei pra ouvir o que a minha amiga tinha a dizer.

Ela foi breve e sucinta: "Vê, seguinte, pintou uma vaga de assistente social aqui na ONG para supervisionar uma subarea do meu projeto, topa vir fazer uma entrevista na sexta?"
Eu falei na normalidade que sim, topava e ela disse: "Quero vc fazendo parte da equipe, então vou dar uma força aqui."

Chegou a tal sexta, rolou a entrevista com a coordenadora geral do projeto e o diretor e no final da entrevista, eu esperava sinceramente que ele me dissesse: Entraremos em contato. Só que eu fui supreendida, a coordenadora, disse no meio da reunião: Para mim já basta, está contratada!
Então o diretor disse: Ok, se você dá seu aval, para mim está bem. Quando você pode começar Veronica?

Quase cai da cadeira, mas mantive a pose. Fui sincera, abri o jogo e disse que tinha outro emprego, que precisava de tempo pra conversar, e que poderia começar no dia 02 de agosto. Só que daí pintava o outro problema... Como pedir demissão? Falei, da forma mais branda possivel, só que não foi aceita.
Como na ONG são apenas 2 dias de trabalho, os outros 3 e o plantão de sábado (que fazemos home office) são destinados à agência.

Resumão: De mãe deprimida desempregada a economicamente ativa novamente, trabalhando em duas áreas que ama, sendo produtiva e estando MUITO feliz.

Certezas? Apenas a de que eu quero aproveitar cada minutos desses meus dias.
Descobertas? Eu TENHO valor profissional SIM.
Mudanças? Muitas, mas eu tenho o comando da minha vida e Deus me comanda!

É isso pessoal!

Fiquem na paz e um beijo.

06/08/2009

Boas lembranças

Vocês sabem que eu estou na corrida em busca do mestrado né. Só falo nisso, penso nisso, respiro isso, enfim, são 4 anos tentando e morrendo na praia. Só que desta vez eu estou sentindo que dá sabe... Instinto materno rsrs.

Mas o que isso tem a ver com o que eu vou escrever? Eu estava pegando o backup do pc pra achar um arquivo que vai pra tal inscrição do mestrado, quando me deparo com uma coisa muito linda e de muito valor para mim: os agradecimentos que foram colocados na minha monografia (ok, eu tirei 7,0 nessa bosta, fiquei mal por semanas, mas hj sei que essa nota não tem nada a ver com o profissional que eu sou e que eu ainda posso ser, mas eu fiquei com essa "mancha no currículo", coisa de CDF), então foi uma dedicatória de todo o coração que eu queria compartilhar aqui com vocês.
Aproveitem e beijinhos....


Veronica Guimarães da Costa

AIDS no sistema penitenciário do Rio de Janeiro: considerações sobre a política de saúde destinada aos internos do Hospital Penal de Niterói.


AGRADECIMENTOS

A Deus; pela saúde, pela vida e proteção.

A Sandra Guimarães; mulher exemplar - mãe, amiga, força, garra, tudo de bom. Sem você realmente não teria conseguido mesmo. Você é a minha melhor parte!

A Fábio; meu marido, meu grande amor. Perdoe-me pela presença ausente e também pelas inúmeras “noites sem jantar”. Te amo!

As melhores amigas que pude fazer nesses anos de UFF: Érica Landi, Letícia Lacerda, Michele Coutinho, Priscilla Rocha e Renata Silva. Muito obrigada pela amizade eterna, vocês são parte de mim. Sem a força que nos demos mutuamente, seria difícil chegar até aqui. Seremos sempre a “comissão de frente”.

A Fabiana Oliveira e Isabella Fernanda; um agradecimento pra de especial! Obrigada por me aturarem nesse final, Isabela por compartilhar da orientadora, do tema e do desespero. Fabiana por compartilhar das horas incansáveis de choro, da amizade eterna e muita cumplicidade. Vocês sabem que são muito especiais para mim e que amo muito vocês. Obrigada por vocês existirem.

Ao Dr. Mário Molinaro; por ter me dado a oportunidade de conhecer um pouco a realidade do Hospital Penal de Niterói, instituição que está sob sua responsabilidade. Valeu a força!

A Marciane Ornellas. Obrigada por tudo. Tomara que tudo saia do jeito que desejamos. Mais uma vez, fico grata por você ter sido minha orientadora. (Vaca, por causa dela tirei 7)

Aos internos do Hospital Penal de Niterói, por terem me deixado invadir sua privacidade, individualidade e sua doença. Por causa de vocês, agora enxergo o doente de HIV nos sistema penitenciário de outra forma. Obrigada mesmo, de coração.

Para finalizar, queria muito agradecer a uma pessoa que é muito importante na construção do meu projeto profissional – Márcia Barbosa. Minha amiga, minha supervisora, minha Assistente Social preferida. Quero que você saiba que sua trajetória profissional me emociona e que sem seus toques durante a principal fase da vida de um acadêmico – o estágio, talvez não tivesse força para chegar até aquI. Muito obrigada por nossos caminhos terem se cruzado!



Espero que gostem!

Beijos...

31/07/2009

A categoria!

Bem amigos da Rede Insustentável!
Eu tava devendo o post desde quarta feira, mas outras coisas interessantes surgiram e eu resolvi deixar pra lá já que o assunto é delicado e longo, vou logo avisando...
Na quarta feira fui a uma entrevista de emprego no Centro do Rj (coisa que rendeu o post da Saruel), todo mundo sabe que eu sou assistente social cheia de orgulho da minha nobre profissão.
Mas sabe, nesse dia eu tive vontade de pegar meu diploma e enfiar ele debaixo do chuveiro até rasgar (só não fiz isso pq ele é feito de papel-moeda e meu uma pena do cacete), tudo isso porque eu cheguei a mais distinta conclusão: as assistentes sociais são sem noção e despreparadas, além de semi-analfabetas e completamente desatentas ao que se diz respeito à regras de etiqueta.

Todo mundo sabe, ou se não sabe procura saber que ao ir numa entrevista de emprego você pelo menos precisa de um visu apresentável. E além disso, vale procurar saber como são os costumes da empresa que abre a vaga em questão para você ter mais ou menos uma noção de vai ou não pagar um macaquinho básico.

Então, a seleção foi feita numa sala de uma faculdade particular bastante tradicional e antiga do RJ. A recrutadora não era carioca (o que subentende que ela não estaria de roupinha de calor e nem de calça jeans) e por isso alguém mais exigente que as demais. Portanto, todo cuidado para não causar má impressão seria pouco ou todo!

Eis que então adentram à sala de seleção cerca de 15 mulheres (included me) e elas se sentam e a recrutadora começa o blá blá blá.
Ai ela diz que teríamos que fazer uma apresentação em frente de sala, ou seja, de pé pra todos verem e ouvirem em bom tom, falando de sua experiência profissional mais recente, vida pessoal (perguntas básicas como estado civil, filhos e bairro onde morava) e ao final explanar o que você sabia sobre a empresa recrutadora.

Como eu odeio ficar por ultimo escolhi ser a primeira. Não sei se fiz uma boa explanação de tudo, mas a verdade é que: EU ESTAVA VESTIDA ADEQUADAMENTE DE TERNINHO DE SAIA E MEIA CALÇA E SAPATINHO ALTO DE BICO FINO QUEDÓIOPÉPRACARALHOU!

Depois de mim começaram os desatinos:
1) Gorda de calça jeans e blusinha de alça fina com um casaco de capuz igual aos da Maria Ísis.
2) Moça de calça jeans que se vai no mercado em dia frio, blusa bata estampada e sandália com dedos mega de fora e salto de cortiça.
3) MUITO gorda de calça bailarina (aquela de elanca e com cadarcinho) e baby look com o símbolo da luta contra o câncer de mama.
4) Gordinha simpática, de TERNINHO DE CALÇA E BLUSA BRANCA DE GENTE NORMAL E SAPATO BONITINHO.
5) Moça com corpo de modelo, calça baixissima e tatuagem de golfinho do lado esquerdo da pélvis.
6) Moça de sobretudo jeans e sapato boneca com meia azul

E fora outras coisinhas como falar em demasia, mascar chiclete, cometer erros brutais de português que eu nem me lembro pra não traumatizar, coisas do arco da velha...

Esses exemplos ai foram os mais gritantes que não me saem da memória desde a data.

Pensei sinceramente em escrever uma carta ao conselho para que eles elaborem uma cartilha de bons modos para a categoria. Porra cara, não é porque a profissão é oriunda da classe trabalhadora, trabalha basicamente com pessoas em vulnerabilidade social (leia-se pobre) que você vai exculachar a parada.

Fiquei envergonhada, puta, me sentindo um ET dentro da sala e ao mesmo tempo sabendo que não dá pra ser tão bom quando os demais levam teu "nome" pra lama.

Ai depois eu conversei com uma amiga tb AS e resolvi que vou sim, mandar o tal manifesto pro conselho, talvez seja até esse aqui mesmo.

Não quero ser rotulada de cafona, mal preparada, e semi analfabeta porque um monte delas fazem questão de ser assim.

Ufa! Desabafei.

Amanhã tem novidades às 19 horas. Espero que curtam.
Beijos com carinho e bom sabadão galera

25/07/2009

Eu amo ser Assistente Social (mas isso ai é piada hein).

PRA DESCONTRAIR NESSE FRIO HORRÍVEL!

Uma Assistente Social desceu os portões do inferno e foi admitida.

Mal havia chegado já estava insatisfeita com o baixo nível de higiene e de saúde das pessoas no inferno. Logo começou a fazer projetos e várias ações para coibir aquele caos. Pouco tempo depois já não havia no inferno o insuportável mau hálito nas pessoas. Ninguém mais reclamava de dores e mal estar, os banheiros tinham higiene e sala de repouso e, por conseguinte, estavam mais limpos e cheirosos.

As pessoas eram orientadas sobre hábitos de vida e prevenção de doenças. Eram acompanhadas através de análises diárias e com controle de satisfação e exames físicos. A Assistente Social era muito popular por lá.

Um dia, São Pedro chamou o diabo ao telefone e perguntou, ironicamente: - E então, como estão as coisas aí embaixo?

E o diabo respondeu: - Uma maravilha! Agora aqui todos se beijam, sorriem uns aos outros, não existem doentes, queixosos, as pessoas estão mais felizes... se alimentando melhor... Isso sem falar no que a nossa Assistente Social está planejando para breve!

Do outro lado da linha, surpreso, São Pedro exclamou: O quê ?! Vocês têm uma Assistente Social aí ? Isso foi um engano! Assistentes Sociais nunca vão para o inferno. Mande-a subir aqui, imediatamente!

O diabo respondeu: - Sem possibilidade! Eu gostei de ter uma A.S. e continuarei mantendo-a aqui.

São Pedro, já mais irritado, fala em tom de ameaça: - Mande-a para cá agora, ou tomarei as medidas legais necessárias.

Eis que o diabo soltou uma gargalhada:
- Hahahaha! Onde você vai arrumar um Advogado? Estão todos aqui...


Caros colegas da "toga", desculpa mais eu tinha que colocar isso aqui. sem preconceitos tá, por favor não me entendam mal...
Povo eu tô feliz demais, quase soltando rojões, vcs não imaginam...
Beijos e mais beijos.

15/05/2009

Dia 15 de maio - dia do assistente social.

Bem amigos, quem acompanha o blog e quem me conhece sabe da minha verdadeira paixão pelo serviço social. Me identifiquei com a profissão desde o momento que comecei a saber mais sobre ela através de um teste vocacional que eu fiz lá atrás na época do pré vestibular.
Ai numa das universidades que eu me inscrevi, coloquei a opção para serviço social. Ok... passei, cursei com muita dificuldade porque eu trabalhava muito longe da universidade, no bairro da Barra da Tijuca e estudava em Niterói, pra quem é do RJ, sabe como é longe, o trânsito enorme e muitas vezes os atrasos nas barcas me impediam de chegar na hora.
Enfim, depois de greves, monografia e muita loucura, me formei em junho de 2006, 2 períodos depois do previsto, já que o curso tem 9 períodos.
No ano seguinte, consegui meu primeiro e único emprego na área. Numa cidade longe da capital chamada Paracambi. Muita luta, acordando muito cedo e chegando muito tarde, pouco tempo para a família e para os amigos, e o mais interessante, carregando uma barriga durante 9 meses, já que neste ano eu engravidei e tive Maria Ísis.
Depois disso, não consigo mais emprego. Ah ok, vão me dizer - Faça concursos! Sim, eu devo, mas para isso precisa de grana para pagar as inscrições (hj tenho outra prioridade) e tempo para estudar (minha nova prioridade me toma todo o tempo que tenho).
Vi amigos prosperando, outros morrendo, outros desistindo da profissão, outros mudando de cidade, de país, enfim coisas diversas aconteceram desde aquele setembro de 2000 quando assisti a primeira apresentação na universidade.
Mesmo assim, com todas as adversidades, eu nunca desisti. Tenho sempre na minha mente que poderei contribuir e muito para o esclaremento e a garantia de direitos das pessoas que necessitarel do serviço social.
Amo a minha profissão, sou uma excelente profissional e sei que meu futuro ainda sera brilhante.
Então desejo de todo o coração um FELIZ DIA DO ASSISTENTE SOCIAL para todos colegas de profissão, amigos de luta e para mim também.
Agradeço todos os dias pela minha escolha e sei que não seria tão feliz se no dia da minha formatura tivesse me tornado em Bacharel em Serviço Social, Assistente Social.
Deixo aqui meu ideal: Por uma sociedade mais justa, menos excludente, preconceituoso e desigual.

Beijos calorosos.
Veronica.

PS: Beijos especiais para a minha turma - Universidade Federal Fluminense - 2º semestre de 2000, sendo representada pela querida Letícia, que faleceu em abril desse ano, a profissional mais obstinada e consciente que pude conhecer.

21/10/2008

I am so happy!!!

Passei...

Na primeira fase do mestrado da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca - ENSP/FIOCRUZ.

Que venham as próximas etapas.

Tô simplesmente RADIANTE!!!!

Sábado que vem é a próxima prova, torçam por mim galera.

Beijos enormes.

Veronica.

12/08/2008

A triste face do amadurecimento.

Essa semana eu estava aqui em casa de bobeira e resolvi entrar num chat de um provedor (agora não lembro qual) onde existem salas que são direcionadas à profissões. Como estou procurando emprego novamente, achei que trocando uma idéia legal poderia fazer contatos e quem sabe talvez, vir a criar uma nova rede.

Lá fui eu para a sala de Assistentes Sociais (essa é minha profissão).

Entrei com o meu próprio nome achando que estava sendo sincera e objetiva. Eis que logo após a minha entrada me chama para conversar uma moça do com o seguinte nick: Flor Natalense...
Cara, eu rolei de rir! Primeiro que a sala não era pra namorar e sim compartilhar experiências, mas enfim, dei a devida atenção pra colega.

Começei fazendo as perguntas clássicas do tipo: Mora onde? Resposta: Natal RN (eu fiquei feliz e pensei: oba alguém com uma realidade diferente do RJ pra compartilhar), só que logo depois eu perguntei como estava o mercado de trabalho lá em Natal e obtive a seguinte resposta: Xiiii, eu nem sei do que você está falando!

PQP! O que a louca do sobrado faz numa sala destinada a assistentes sociais se ela nem sabe do que fala? Bem, já q tava na chuva pensei: Veronica do céu, vamos tripudiar (ai q péssimo)!

Ai eu perguntei pra menina, quantos anos você tem querida? E ela respondeu: 27 com carinha e corpinho de 15.

Pronto... ai eu tive crises de risos estéricos q quase acordei a Maria q dormia "Like a baby" que ela é.

Resumo: sair do chat, rindo horrores e sem completar meu obejtivo. E o pior de tudo foi que eu tive a certeza que tem muita gente que não quer crescer.

Porra, o que leva alguém, principalmente uma mulher com a minha idade, dizer num chat destinado a profisisonais que tem 27 com corpinho e carinha de 15? Jesus, me socorre! Que tal experimentar o amadurecimento?

Como disse um amiguinho q eu tenho - Vê, aos 27 se vc é solteira e fica na pista direto, vai ficar pra titia ou quer estar casada, ou pelo menos num relacionamento estável.

Pra finalizar! Sei que o amadurecimento é dificil, mas custa o que Pai Celeste ser e agir de acordo com sua idade hein?
Ah tá, a menina era Flor Natalense, lá do Nordeste...

Kisses for you!

14/07/2008

Mudei de profissão?

Hoje eu tive um dia daqueles. Estou em ritmo de peregrinação para começar a montar o esquema da festinha de 1 ano de Maria Ísis. Aproveitando a disponibilidade de minha mãe que tá de férias, fomos nós ao GMM... aposto que ninguém sabe o que é.
1,
2, e
3...
Grande Mercadão de Madureira.
Enfim, lá fomos nós. Andamos feito louca, entramos em todas as lojas de festas e brinquedinhos, resolvi comprar um caderninho daqueles de aspiral, pequenos, pra anotar preços e tudo mais.

Agora o mais interessante: 28 (eu contei) pessoas diferentes me fizeram a seguinte pergunta: Você trabalha aqui? Ou, Quanto custa o item tal?
Povo, só por causa do caderninho, da caneta, sandália rasteira e cara de pobre será que eu tenho perfil de vendedora do Mercadão?

Chegou uma hora que o humor tinha ido pras picas... Foi subindo uma raiva que na última vez eu respondi: NÃOOOOOOOOOO! Tadinha, a mulher pediu até desculpas e eu lógico, não aceitei.

Pra parecer uma mãe de família que faz pesquisas, tenho de trocar o caderninho pela agenda mega gigante, e a canta bic pela minha Montblanc.

Que seja, na próxima vez, vou tentar me disfarçar de assistente social mesmo rsrs.

Ah, como é difícil fazer um micro festinha que seja, dá um puta trabalhão!

Kisses for you!

11/07/2008

A procura de emprego!

Gente, como esta dificil arrumar emprego nesse Brasil. Eu estou em casa desde o nascimento da Maria Isis, em outubro de 2007, e agora decidi que seria melhor comecar a me mexer. Tenho formacao em Servico Social, uma profissao que tem demanda mais nao tem quase vagas, a maioria destas vagas estao nas areas publicas, ou seja, so concurso. Por outro lado, sou secretaria e ai, contrariando minhas expectativas, tb resolvi procurar vagas nesta area. Enfim, ca estou eu, louca por um emprego, querendo voltar a ganhar meu dinheiro e fazer as coisas que eu tanto gosto. Se souberem de alguma vaga, me avisem kkkkk!

Kisses for you!