quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Instituições "versus" Institucionalização

Quando eu criei pensei que iria falar muito da minha profissão, iria analisar, fazer comentários, pareceres e afins, mas acabou que os rumos foram outros e eu quase não falo de serviço social, mas hoje eu vou falar, então senta que lá vem história.

Desde 02 de agosto eu voltei a exercer a profissão de assistente social depois de quase três anos fora da frente de trabalho. E essa minha volta foi totalmente inusitada conforme eu conto AQUI; porém essa mudança só vem contribuindo ainda mais para o meu crescimento profissional e pessoal.

A Ong onde trabalho desenvolve um projeto de reinserção e reaproximação familiar em convênio com a FIA - Fundação para Infância e Adolescência do Estado do RJ e o objetivo é reinserir e reaproximar crianças e adolescentes (em alguns casos alguns adultos) com comprometimento mental que estejam em sistema de abrigamento, ou seja, em abrigos do Estado.

Até esse novo trabalho, meu contato com saúde mental era bem pequeno, algumas inserções com ex pacientes do antigo e extinto Dr. Eiras, localizado na cidade de Paracambi - RJ e somente. Nenhum contato com instituições, equipes técnicas que trabalhassem diretamente nessa área e principalmente contato ZERO com os portadores de necessidades especial, o tal comprometimeto mental que falei acima.

Hoje eu estive em um abrigo na cidade de Barra do Piraí e confesso que mesmo com a minha experiência no serviço social de aproximadamente 10 anos (a contar de quando entrei na universidade) me senti mal.

Me deparei com mulheres com idades próximas a minha, totalmente alheias ao mundo real, vivendo realidades paralelas, mundos específicos e completamente sem vínculos familiares. Vi uma equipe técnica comprometida com o trabalho e a proposta da reinserção e reaproximação familiar.

Excitação; surpresa; tristeza; medo; pesar; sentimentos de perda; curiosidade; tudo isso eu vi nos olhos daquelas moças. Vi também uma instituição segregada pela massificação do Estado, histórias interrompidas pelo abuso desse mesmo Estado e principalmente a tal institucionalização.

Trocando em miudos; as abrigadas que lá estão, cerca de 70, têm os mais diversos comprometimentos mentais, de leves até graves, mas existe algo comum em sua grande maioria: a dificuldade de se adaptar ao meio externo. Há casos que o abrigamente existe por pelo menos 28, 30 anos, ou seja, chegaram ao sistema ainda bebês.

A questão aqui não é culpabilizar familias ou tão pouco responsabilizar A ou B, mas mostrar que mesmo profissionais como assistentes sociais que são "treinados" ao longo de 4, 5 anos de graduação não se envolver, não se espantar e principalmente não usar de discursos assistencialistas, podem sim repensar a sua prática profissional a partir de olhares diferenciados e também se comoverem com determinadas situações.

Confesso que estou morrendo de sono, poderia estar dormindo, mas eu estou tão estarrecida com as imagens que eu vi, que precisava desabafar e por isso vim aqui pra dividir isso com vocês.

Talvez não seja o tipo de post que gostariam de ler, mas é o que eu consigo escrever, mesmo sem entender uma porção de coisas.

Uma coisa é certa, quando você não é apresentado a novas realidades, se adapta àquela que lhe é real. É exatamente que quer dizer a institucionalização. Segrega, massifica, maltrata e principalmente acolhe. Isso mesmo, uma relação completamente dicotômica, porque é dentro de instituições como abrigos que inumeras pessoas têm sua referência de vida, mesmo que essa não seja ideal.

Deixo um beijo grandão pra equipe técnica Moteana; super competente que tem me acolhido super bem desde o início do mês. Espero poder dar o meu melhor enquanto pessoa e principalmente como profissional engajada no projeto ético político da profissão.


Até mais.

3 comentários:

Tati disse...

v, o da impala, madonna .. é cremoso, mas eu tenho o Matt da Big, q é uma ''base'' fosca, q passando em cima de qualquer esmalte dá o efeito fosco... mas ai na foto é cremoso...
esse rosinha da Big, tem foto dos 2 tipo, com Matt e sem Matt...
bjs

Kalanga Brazil disse...

Seguindo, Flôr!
Beijos da Kalanga
PS: Posso voltar quantas vezes eu quizer?

Mulher Faladeira disse...

É Vê, bem vinda ao mundo real. O Mundo das impotências, dos desmandos e das precariedades, mas também o mundo das possibilidades, se assim quiser. Ao nos depararmos com algumas coisas temos duas opções, nos lamentarmos ou nos empenharmos pra contribuir não em "consertar" esse mundo doido, mas ao menos pra fazer a diferença na vida de uma pessoa que seja. Guardo com carinho uma carta de um usuário que me disse o quanto de diferença minha interveção havia feito em sua vida. E de fato eu contribui, não dando benefícios, mas viabilizando direitos.

Sabe! Qd eu fazia estágio no MST e tinha que falar de cidadânia pra uma porção de gente de barriga vazia, entendi que a medida do seu trabalho e o tom de assitencialismo quem dá é vc. Não foram as vezes que por um dia nos cotizamos pra que eles pudessem fazer uma refeição que fosse.
E que se dane o assitencialismo e que se dane toda aquela balela que ouvimos muitas vezes na facul.
Imparcialidade é uma palavra muito bem aplicada se fossemos postes, mas somos gente, com nossas histórias, valores e impressões e sim! Fiacamos abaladas e chocadas com tanta desgraça que nos deparamos no dia-a-dia profissional e as vezes até mesmo fora dele!
E por isso amiga! Dou graças!
Graças por ainda me indignar, ou me chocar... Agradeço todos os dias por ainda acreditar, embora as vezes tenha que fazer um esforço descomunal pra isso. Mas fazê o que. O serviço social é isso: Ame ou Deixe-o.
Assim linda, esqueça um pouco as convenções e os protocolos e faça a sua parte com a competência que sabemos que vc tem. Viva e sinta o ser assitente social que tem em você.

Eu é que agradeço por vc partilhar sua impressões, anseios e angustias conosco. É sempre bom saber que não estamos sozinhas.
Bjs,