terça-feira, 21 de junho de 2016

Envelhecer.

Oi pessoal.
Tardo mas não falho.

Estava agora a pouco assistindo o programa Papo de Segunda (que eu adoro) e os rapazes debateram um tema muito atual e difícil de ser falado: quando estaremos preparados para cuidar de quem cuidou de nós. Eles se referiam ao cuidado com nossos idosos (pais, avós, tios e pessoas queridas). Confesso que me pegou bem fundo porque no momento venho passando uma situação ligeiramente complicada com a minha mãe.

Para contextualizar, vou explicar...
Sou filha única, de pais separados desde a minha adolescência (mais ou menos 20 anos). Vivi com a minha mãe até o momento em que casei, mesmo assim a proximidade era enorme e eu acabei acessando lugares que eram dela e passaram pra mim. Com o avanço das tecnologias, minha mãe (por opção creio eu), resolveu ir se afastando e se negando acrescentar tais conhecimentos à sua rotina de vida.

Coisas simples como conectar o dvd na tv, ou ouvir um cd no aparelho de som, ou mesmo realizar uma transação bancária começaram a ficar cada vez mais dispendiosas e apavorantes para ela. Eu estava sempre ali, amparando, cuidando, resolvendo e tentando fazer como que ela pudesse ir adiante... Ledo engano.

Mas isso não é o que me incomoda ou incomodou, pelo contrário, faço com prazer. O que vêm me preocupando bastante é a negação diante de situações óbvias que podem vir a prejudica-la seriamente. Cerca de 5 anos, eu mudei de cidade (quem acompanha o blog deve ter visto um ou outro post falando disso) e a distância passou a ser real, Nos vemos uma vez por ano, quando conseguimos, porém o contato telefônico é diário. Por que falar sobre isso? Justamente porque eu venho percebendo que as coisas estão cada vez mais confusas.

Ao envelhecer, nós não perdemos a nossa capacidade de discernimento e nem muito menos de pensamento ativo e atuante, porém as limitações físicas e de saúde começam realmente a aparecer em larga escala. Para uma pessoa muito ativa, o surgimento de doenças e impossibilidades pode ser a chave para um processo de derrocada geral. E nesse momento, estou vendo isso acontecer com a minha mãe.

Recentemente ela quase perdeu a visão por orgulho de não dizer que precisava de alguém para acompanha-la ao medico. Onde ela mora, é cercada por parentes próximos que jamais se negariam ao auxilia-la caso precisasse.
Qual meu medo? Não estar por perto caso aconteça algo grave.

Será que eu esteou preparada realmente para cuidar dessa pessoa que cuida de mim até hoje? Será que ela está preparada para perceber que a partir de então haverá necessidade de cuidados mesmo que sejam mínimos?

Veio na minha cabeça o ciclo da vida. Aquele que aprendemos no jardim da infância: nascer, crescer, envelhecer e morrer. Me pareceu tão cruel...

Me leiam,