quarta-feira, 25 de abril de 2012

A assistente social voltando a opinar.

Essa semana eu precisei responder uma afirmativa que é um grande clichê desde que o mundo passou a viver a questão neoliberal nas grande sociedades.
A afirmativa era a seguinte: "a violência existente nos grandes centros urbanos do Brasil é potencializada pela quantidade de família de baixa renda."
Nossa, quando li isso minha vontade foi sair correndo e gritando num estilo desenho animado, mas ai eu respirei fundo, lembrei das aulas de processo de trabalho e serviço social da faculdade e comecei a discorrer sobre o tema.

Na minha humilde opinião uma coisa leva a outra e outra coisa leva uma. Mais como assim pessoa maluca? Simples.
Um dia, lá há sei lá quantos anos atrás, Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil. E segundo meu professor de história favorito, quando os senhores portugueses se apossaram do nosso tupiniquim Brasil, a ideia principal era simplesmente "desovar" todos aqueles cidadão europeus portugueses que não se enquadravam na política do Estado maior. Ter um local longe e com área territorial imensa, daria a esses governantes a tranquilidade de que ao mesmo tempo que teriam controle sobre essas pessoas, não precisariam dar respostas aos seus atos perante à sociedade européia.
Dai, fomos colonizados por um grupo de pessoas sem escrúpulos, criminosos e etc, mas eram europeus.
Voltando aos dias de hoje, um país que não investe em educação, que tenta suprir as necessidades básicas da população com medidas paliativas, que não oferece capacitação profissional, acesso a direitos básicos, não tem como controlar a violência.
No meu entendimento a violência está muito mais ligada à falta de informação do que à exclusão (mesmo que uma coisa leve a outra). Porque assim, quando excluímos alguém de algum tipo de coisa, privamos essa de ter tal conhecimento, porém se essa mesma pessoa tem informação de como fazer para buscar alternativas, ou seja, conhecimento, educação e bom senso, ela vai tentar fazer diferente (óbvio se for de seu interesse - falo meio que utopicamente).
Ai chegamos às famílias de baixa renda do Brasil, dos grandes centros. Não possuem educação, a informação chega deturpada a essa maioria de pessoas e a violência acaba sendo uma válvula de escape para querer aparecer (sim podem me crucificar). Mas a medida que você desconhece, você chama a atenção, você quer de alguma forma ser notado.
Porém em contra partida, as opções oferecidas pelo Estado são ainda mais excludentes. Nós, profissionais do social vivemos passando pelo grande dilema chamado critério de elegibilidade, que nada mais é dentro da miséria, eleger o mais miserável. E não falo de miséria só financeira não, falo num sentido amplo. Isso é terrível porque mesmo que você profissional seja imparcial, se você pensar na questão nua e crua, vai querer fugir num estilo corre e grita.
Aff, depois de falar isso tudo eu tenho a grande certeza de que se o Estado não supre as necessidades do cidadão que é pagador de impostos e principalmente obrigado a votar, nada vai melhorar. Um povo mal educado, sem informação e sem direto a acessar essa informação da maneira correta, sempre será violento.

Veronica Guimarães
Assistente Social
Desempregada, mas muito orgulhosa de sua profissão.

Um comentário:

MeL disse...

Vai que isso já vem na genética dos colonizadores mau caráters... rsrs Brincando... Gostei do texto heim, li todinho sem cansar, eu acho que não dava pra esse trabalho não, eu ia viver aos prantos.. eleger o mais miserável entre os miseráveis... caraca.. te admiro Vê... Sou sua fã \o/